“O processo de gentrificação é sempre descrito como negativo, mas é também o motor para a redefinição do urbano.As pessoas. Essa concentração causa urbanidade.” Bjark Ingels fala ao El País.

ENTREVISTA

“Gentrificação não é só negativa, também é o motor para a redefinição do urbano”

Bjarke Ingels representa como poucos a figura do arquiteto famoso. Seus edifícios em formato de floco de neve e pirâmide são concebidos mais como bairro do que como imóvel

“Gentrificação não é só negativa, também é o motor para a redefinição do urbano”
KT AULETA
2 JUN 2018 – 23:55 CEST

Quando a arquitetura espetacular deixou de espantar e assustar e foi substituída como modelo pela vertente sustentável, o dinamarquês Bjarke Ingels (Copenhague, 1974) descobriu a fórmula para conciliar as duas tendências: “Alguns de nossos projetos inovadores são para o mundo dos poderosos, mas temos outro lado às pessoas que não estão contentes com os modelos arquitetônicos existentes. Hoje a sede tecnológica convive com a sede de natureza”. O criador das sedes do Google em San Francisco e Londres assinou o projeto de cinco edifícios em Manhattan, incluindo a torre do World Trade Center que substituiu o projeto de Norman Foster. No ano passado foi eleito uma das 100 personalidades do ano pela revista Time. Há 12, fundou o estúdio BIG, que hoje tem mais de 400 funcionários. Atribui sua ousadia à sua falta de preconceitos, enquanto toma uma cerveja em Pamplona durante um congresso organizado pela Fundação Arquitetura e Sociedade. É um expoente de destaque da figura do arquiteto famoso contemporâneo.

O floco de neve, o labirinto… Os apelidos de seus edifícios refletem a infantilização da arquitetura?Tentamos não repetir o que já existe. Em vez de colocar novos usos em velhos moldes tentamos averiguar o que irá acontecer. Em Nova York contrataram uma agência para que procurasse nomes a um de meus projetos. Chamou o edifício de Via 57, mas as pessoas se referem a ele como “a pirâmide”. Foi assim que nós o batizamos.

Por que a arquitetura deve se reinventar? Precisamos de alternativas à moradia com jardim e ao apartamento na cidade. E nascerão da mistura. Le Corbusier já fez uma tentativa dedicando um dos andares ao comércio em edifícios de apartamentos. A diversidade cria a possibilidade da diferença. É preciso aceitar o diferente.O floco de neve. Hospital psiquiátrico, Helsingør, 2005.

O floco de neve. Hospital psiquiátrico, Helsingør, 2005. MARIO INTI GARCÍA

O diferente precisa ser fotogênico? Em formato de floco de neve? Repensar a arquitetura significa estar preparado para aceitar extravagâncias. Não nos interessa a definição de beleza como proporção. Não queremos disfarçar os edifícios de normalidade. Esse formato de floco de neve é o mais eficaz à organização de um hospital. As linhas precisas de meus edifícios têm a ver com a claridade das ideias que foram desenvolvidas neles. Qualquer coisa que expresse sua natureza real é atrativa.

O que o fez ter o caráter inesperado e desinibido que seus projetos revelam? Cheguei à faculdade sem saber quase nada de arquitetura. Nem mesmo queria ser arquiteto. Mas uma vez lá tentei entender a disciplina olhando-a sem preconceitos. O bom selvagem tem sempre outro ponto de vista.

 

“Nem mesmo queria ser arquiteto. Cheguei à faculdade sem saber quase nada da disciplina. Mas uma vez dentro, tentei entendê-la sem preconceitos”

A maneira como seus edifícios envelhecem o preocupa? Sim. Os materiais nobres envelhecem melhor do que os materiais baratos. Mas uma solução passa por conviver com a natureza: a vegetação subindo pelas fachadas as embeleza. É verdade que nossos edifícios iniciais eram muito econômicos e poderiam ter envelhecido melhor se fossem construídos com outros materiais. Suas localizações, entretanto, se transformaram em bairros bem-sucedidos e seu valor imobiliário aumentou.

Antes de se transformar em arquiteto, você desenhou quadrinhos. Em um deles, recriou a história da arquitetura moderna e se nomeou o herdeiro direto de Mies, Le Corbusier e Koolhaas…Foi o primeiro livro. Os de arquitetura costumam sem chatos, não prendem o leitor. Algo que contrasta com as visitas à obra: quando um arquiteto te explica o que faz, costuma fazê-lo com paixão. Pensamos que havia um terreno a explorar nesse paradoxo. Queríamos explicar as histórias por trás das imagens, e um quadrinho é mais fácil de acompanhar do que um livro ilustrado.

O que você fez para conseguir se equiparar com estrelas da arquitetura mundial e projetar – com Thomas Heatherwick – os edifícios do Google?Acho que fui inovador.

Por que as grandes empresas do mundo – Google, Apple e Facebook – encarregaram arquitetos famosos de projetarem edifícios isolados em vez de construir as marcas urbanas que caracterizaram as cidades do século XX? Acho que sua forma de pensar é antiquada. Sou de Copenhague e precisei superar o centrismo que significa identificar a cidade somente com as belas ruas que rodeiam o centro histórico. A cidade, e o urbano, é muito mais. Uma porcentagem muito pequena mora no centro. Essas empresas não nasceram nas cidades, e isso abre um mundo a se explorar que me interessa. Para o Google fizemos um edifício que ao mesmo tempo é um bairro. Terá lojas e restaurantes. E os moradores poderão entrar para comprar e passear.

A 8 House, bloco de moradias em Copenhague, Dinamarca, 2007.
A 8 House, bloco de moradias em Copenhague, Dinamarca, 2007. RENATA BOLÍVAR

Passando por controles de segurança? Com diversos níveis de segurança. A diversidade é boa, mas complexa. Nosso projeto para o Google venceu com uma ideia precisa: quando as empresas empregam 30.000 pessoas não podem ter um edifício, precisam ocupar um bairro. E nos bairros é preciso existir de tudo para que sejam urbanos e façam parte da cidade.

O que acontecerá com as cidades se as empresas poderosas não apostarem nelas? Entre os anos sessenta e oitenta, muitos centros urbanos sofreram o abandono da população: queríamos uma casa com jardim. Nas últimas décadas, os centros voltaram a se encher de gente. Resultado: aluguéis impagáveis. É quase impossível morar no centro de Londres e Copenhague. Isso faz com que a ideia de cidade deva ser redefinida.

O que faz uma cidade ser o que é? As pessoas. Veja como determinados grupos de artistas se mudam para viver em bairros mais econômicos e essa concentração causa urbanidade. Quando as pessoas chegam a um lugar e se instalam nele, esse lugar melhora, se desenvolve. O processo de gentrificaçãoé sempre descrito como negativo, mas é também o motor para a redefinição do urbano.

Você trabalhou com Rem Koolhaas durante um ano e meio. O que aprendeu com ele e o que gostaria de evitar? Ele teve uma influência radical em minha carreira. Ele enxerga o mundo como realmente é e não como achamos que é. Tenta olhar. A cidade não é só o grandioso, também é o medíocre. Essa atitude é fundamental. Eu me interesso pelo mundo em toda a sua extensão.

O que evitaria do legado de Koolhaas? Ainda é, indubitavelmente, um dos arquitetos mais relevantes do mundo. Mas acho que o que tentei fazer de outra forma tem a ver com minha felicidade pessoal. Gosto de estar alegre e compartilhar essa disposição com as pessoas que estão ao meu lado. Acho que a alegria dá energia.

O trabalho é a sua vida? Tenho uma vida além do trabalho, claro que sim. Ainda não tenho filhos. Mas… o mais provável é que tenha filhos espanhóis. Minha namorada é de Madri.

É arquiteta? Sim. Mas há muito tempo não namorava uma arquiteta. Fui ao festival de Nevada com um amigo em um avião de 12 lugares. Uma jovem muito bonita se sentou diante de mim. E começamos a conversar.

Seu pai é engenheiro. Sim, faz fibra óptica.

Corre o rumor de que é um homem poderoso dono de veículos de comunicação. Receio que seja só engenheiro. Devo estar fazendo alguma coisa certa para que inventem lendas sobre mim [ri].

Sua mãe é dentista. Sim.

 

Museu Marítimo da Dinamarca, Helsingør, 2013.
Museu Marítimo da Dinamarca, Helsingør, 2013. KT AULETA

Como você chegou à arquitetura? Acho que era meu destino. Tenho dois irmãos. A mais velha se dedicou à música. É uma boa pianista. O mais novo é bom em matemática e se transformou em um grande jogador de pôquer. Eu estudei piano, mas não era o que queria fazer da vida. Desenhar é meu superpoder. Foi assim durante minha infância: no jardim da infância, no colégio. Eu era sempre o melhor desenhando.

Quer ser o melhor arquiteto? Quero ser eu mesmo. Acho que a arquitetura precisa entender a criatividade de outra maneira, não só formalmente. Steve Jobs disse que de cada 20 engenheiros um é artista e os outros são engenheiros. Acho que isso pode ser aplicado à arquitetura, ao basquete e ao ensino. Um professor que é um artista pode mudar as pessoas.

Você se vê como um artista? Eu me vejo como alguém capaz de mudar as coisas. Alguém disposto a esse esforço. A arquitetura pode ser uma arte, mas a arte atual deve ser transformadora.

Para a Exposição Universal de Xangai você quis exibir a estátua da Pequena Sereia dinamarquesa afirmando que era mais sustentável transportá-la do que levar 1,3 bilhão de chineses a Copenhague para que a vissem. Nosso edifício tentava mostrar o divertido, saudável e sustentável que é chegar ao centro da cidade pedalando em vez de passar horas sentado dentro do carro em congestionamentos. A sustentabilidade não era A Pequena Sereia, era a ventilação natural que o edifício propunha. Tentava enfatizar o lado não somente necessário, mas também plácido da sustentabilidade. A Pequena Sereia era uma propaganda. Enviar a escultura a Xangai significaria admitir que na Europa podemos ter todas as maravilhas do mundo, mas se os chineses vêm para cá vê-las não poderão se sustentar por muito tempo.

A experiência de ir à Dinamarca é um pouco mais do que ver A Pequena Sereia. Claro. E é melhor ver a Mona Lisa em Paris do que em Pequim. Mas 1,3 bilhão de pessoas não podem ir a Paris vê-la. O turismo é um campo a se reinventar. A arte pode se movimentar. E movimentá-la também significa a transmissão de outros valores como a generosidade e a confiança.

“Nesse trabalho, existem mais coisas fora do controle do arquiteto do que sob seu comando. Se não há cliente, não se constrói um projeto”

A arquitetura pode se transformar em piada? Diga de outra maneira: até mesmo os arquitetos podem contar piadas. Deveria ser permitido, como também a outros profissionais.

Não existem profissões menos engraçadas do que outras? Um edifício, como uma operação, não pode ser uma piada. Mas o humor não é contrário à qualidade. Normalmente as pessoas divertidas são inteligentes. Somente quem é capaz de pensar com rapidez pode ser divertido. Uma ideia brilhante, não somente em arquitetura, começa sempre com algo que sabemos reconhecer. O inesperado vem depois. E para ser brilhante, o surpreendente precisa fazer sentido. É verdade que em nosso estúdio gostamos de fazer brincadeiras. Mas continuamos só com o que continua sendo interessante quando paramos de rir.

Você substituiu Norman Foster para construir em Nova York o edifício World Trade Center 2. Aquele quadrinho em que você brincava com o fato de ser o herdeiro de Le Corbusier está se transformando em realidade? Bom… [risos]. Parece simbólico que nossa ideia substitua a de Foster, mas o que aconteceu é que seu projeto ficou 10 anos parado e um novo construtor nos chamou.

O que fez com que o seu edifício fosse construído e o de Foster não? O nosso funciona melhor.

Como sabe se o de Foster não chegou a ser construído? Foram os problemas que fizeram com que não fosse construído.

Não era uma questão simbólica? A torre de Foster era bastante simbólica.

A pirâmide. Via 57, Nova York. 2016.
A pirâmide. Via 57, Nova York. 2016. KT AULETA

Foster será sempre mais sóbrio do que você.Suponho que sim, mas tinha detalhes pouco práticos. Acho que foi projetado para um tipo de promotor que não é atual. Acontece muito. Nós ganhamos o concurso para fazer a Biblioteca Nacional de Astana, no Cazaquistão. Anos depois decidiram que queriam um edifício de Foster e começaram a levantá-lo sobre nossos alicerces.

A arquitetura é um mundo de predadores? No mundo da arquitetura existem muito mais coisas fora do controle dos arquitetos do que sob seu comando. Não importa o quão maravilhoso o edifício é; se não existem clientes, não se constrói.

“Gentrificação não é só negativa, também é o motor para a redefinição do urbano”
KT AULETA

Sua arquitetura transmite uma imagem otimista e o que conta é o contrário. Viu o filme A Vida É Bela? A vida está cheia de problemas e de possibilidades. Sua atitude decide se vê o copo cheio ou vazio. Existiu um momento, após o Guggenheim de Bilbao, que Gehry e Zaha Hadidconseguiram mais trabalhos do que nunca. Depois veio a crise financeira e o retorno ao essencial. É uma reação comum. Mas hoje a arquitetura é um território eclético. Cabem muitas opções. E não é o estilo o que marca as propostas, são as intenções. Nós fazemos trabalhos quase contrapostos: projetos inovadores ao mundo dos poderosos, mas temos outro lado às pessoas que não estão contentes com os modelos arquitetônicos existentes. A sede tecnológica convive com a sede de natureza, e a arquitetura deve refletir isso sem precisar elogiar suas fontes.

O que mais você faz além de ser arquiteto? Investi em uma empresa que produz grafeno, um material fascinante, um carbono mononuclear que é mais transparente do que o vidro, 200 vezes melhor condutor do que o cobre e 100 vezes mais resistente do que o aço. Quando o grafeno for comercializado, veremos muitas coisas mudarem e avançarem. Será fascinante.

Fonte Site:

https://brasil.elpais.com/brasil/2017/10/23/eps/1508709954_150870.html

 

 

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BioFilia = Do Grego ( bios – Vida / philia – Amor, Afeição, Necessidade de Satisfação. )

Conhecimento nunca ocupa espaço!!! Empolgado como jardinista de saber o quanto podemos prepara novo solos em nossos canteiros para sementes férteis e cheias de vida!

Um caminho para a manutenção da biofilia e conservação da natureza é a educação ambiental

Biofilia: nossa conexão com a natureza

Você já ouviu falar em biofilia? O termo, que pode parecer estranho, foi popularizado pelo ecólogo americano Edward O. Wilson em seu livro de mesmo nome publicado em 1984.“Biofilia” vem do grego bios, que significa vida e philia, que significa amor, afeição, ou necessidade de satisfação. Ao pé da letra, biofilia é o amor pela vida. Mas, qual o conceito por trás desse termo? O que é biofilia?

O primeiro a utilizá-lo foi o psicanalista alemão Erich Fromm, para descrever a orientação psicológica de atração por tudo que é vivo e vital.

Biofilia é um termo que compreende uma perspectiva científica, da atração pela natureza como um principio evolutivo, mas também tem forte caráter filosófico. Como assim?

O termo, foi inicialmente utilizado em teorias psicanalíticas que o opunham à atração pela morte. Mesmo sendo usado em diferentes perspectivas, as teorias concordam que a biofilia é um sinal de saúde física e mental. Diversos estudos comprovam os benefícios do convívio com a natureza para a saúde humana.

Biofilia como processo evolutivo

Em sua obra, Edward O. Wilson discorre sobre a ligação emocional que os seres humanos têm com outros organismos vivos e com a natureza. O termo designa essa ligação emocional e desejo instintivo de se afiliar a outras formas de vida, que segundo Wilson, está em nossos genes e se tornou hereditária. Para Wilson, a biofilia está inscrita no próprio cérebro, expressando dezenas de milhares de anos de experiência evolutiva. Em sua hipótese, o seres humanos procuram inconscientemente essas conexões ao longo da vida.

Um exemplo da biofilia é a atração de mamíferos adultos (especialmente humanos) por rostos de mamíferos filhotes, que despertam instinto de proteção. Os olhos grandes e pequenas características de qualquer mamífero jovem despertam uma resposta emocional que ajuda a aumentar as taxas de sobrevivência de todos os mamíferos.

Da mesma forma, a hipótese ajuda a explicar porque as pessoas cuidam e às vezes arriscam suas vidas para salvar animais domésticos e selvagens, e mantém plantas e flores em torno de suas casas. Muitas vezes, as flores indicam uma fonte potencial de alimentação. Boa parte das frutas inicia seu desenvolvimento como flor. Para nossos antepassados, foi crucial identificar, detectar e lembrar de plantas que mais tarde forneceriam alimentação. Em outras palavras, o nosso amor natural pela natureza ajuda a sustentar a vida.

Contudo, a biofilia é impactada pelas experiências pessoais, sociais e culturais no qual o sujeito está inserido, e vive desde a primeira infância. Nesse sentido, mesmo que a biofilia seja uma tendencia genética, há a necessidade de reforçar o contato com a natureza para que essa conexão se perpetue. Ela carece de um inputconstante a partir do meio natural, ou seja, um conjunto rico e diversificado de experiências exploratórias em ambiente natural, que reforce as conexões com a natureza.

Nós nos relacionamos com o ambiente que nos rodeia de diversas formas e com diferentes intensidades. Existem moradores da cidade que evitam paisagens naturais e moradores rurais que não colocam de jeito nenhum os pés na cidade. Esse senso de habitat é formado a partir de circunstâncias familiares da vida diária em conjunto com nossa raiz instintiva. Simplificando, aprendemos a amar o que nos é familiar: temos a tendência a nos relacionar com o que conhecemos bem e se tornou habitual.

Conexão com a natureza

Em ambientes urbanos, não é tão fácil encontrar espaço para que a biofilia desperte nas pessoas. Em comparação com as culturas anteriores, a tecnologia atual permite um distanciamento da natureza maior do que nunca. Avanços tecnológicos, maior tempo gasto no interior de edifícios e carros, e menos atividades que estimulem a biofilia e o respeito com o meio ambiente. Esses pontos promovem o reforço da desconexão entre os seres humanos e a natureza.

Em que medida nossas perspectivas biológicas e sanidade agora dependem da capacidade de biofilia? É importante entendermos como biofilia é despertada, como ela prospera, o que exige de nós e como ela está sendo utilizada.

A violência sem precedentes, a poluição e a degradação do meio ambiente, demonstram a necessidade de reforçar o vínculo com a natureza. Para salvar espécies e habitats, precisamos retomar o vínculo emocional com ela. A ideia é que os humanos não lutarão para salvar algo ao qual não conseguem se conectar.

Caminhos: educação ambiental, arquitetura

O ecologista social Stephen Kellert afirma a necessidade de atualização das tendências inatas biofílicas diante da aprendizagem em contexto natural. Essas atividades devem contemplar a multidimensionalidade das funções humanas – a necessidade de conhecimento, o apelo estético, o reforço da afetividade e a expansão da criatividade e imaginação. Kellert considera que apenas a natureza vivida diretamente contribui para o pleno desenvolvimento psicossomático de uma consciência ambiental.

Nesse contexto, a sociedade urbana opta cada vez mais por formas de contato simbólico com o ambiente natural nas quais a criança configura representações de uma natureza meramente virtual, sabendo o que é uma árvore pois a viu em fotos ou TV, sem nunca ter realmente tocado e sentido uma. Esse processo de extinção da experiência real parece fluir paralelamente com extinção da biodiversidade.

Por meio de processos educacionais, as crianças podem ser envolvidas com a natureza, caminhando em ambientes naturais, observando de perto os seres vivos. Quando estimulada, a mente da criança se abre para os laços com formas de vida não humanas. A exploração e a recreação, em parques, praias, zoológicos, jardins botânicos e museus é fundamental para esse processo. Dessa forma, a criança adquire conhecimento junto com emoções agradáveis.

O contato direto com os seres vivos (amoras, morangos, insetos, aves e mamíferos) e físicos (ar, solo, água, rochas) afeta a criança de uma forma que a experiência simbólica não pode substituir. Quanto mais compreendermos outras formas de vida, mais aprenderemos sobre elas, e maior será o valor a elas atribuído.

Na arquitetura, uma estratégia busca reconectar as pessoas com o ambiente natural é o design biofílico. Ele é um complemento para a arquitetura verde, que diminui o impacto ambiental do mundo construído. Um exemplo seria a inclusão de mais espaços verdes na cidade, mais aulas que giram em torno da natureza e a execução de design inteligente para cidades mais verdes que integrem os ecossistemas em um design biofílico.Cada espécie é uma criação única, uma obra-prima da natureza. Preservar o meio ambiente não é uma questão de “gostar ou não de natureza”, mas sim de sobrevivência e busca de equilíbrio com o planeta. Se não salvarmos espécies e ambientes, talvez não possamos salvar nós mesmos. Dependemos mais da natureza do que podemos imaginar. Temos diversas razões para cultivar a biofilia e propagar o respeito à natureza. Nós queremos uma civilização que se moverá em direção à uma relação mais íntima com o mundo natural ou que vai continuar a separar e isolar-se da natureza da qual faz parte?


 

Base de Informação – Site: www.ecycle.com.br

 

PENSamentO

 

O que é direito à cidade? Publicação gratuita apresenta trajetória conceitual do termo
O que é direito à cidade? Publicação gratuita apresenta trajetória conceitual do termo, © Keila Vieira, via Flickr. Licença CC BY-NC 2.0
© Keila Vieira, via Flickr. Licença CC BY-NC 2.0

O termo ‘direito à cidade‘ esteve na boca dos participantes das jornadas de junho de 2013, que tiverem como estopim o aumento das tarifas dos transportes públicos em vários estados do Brasil. Esteve também presente nas faixas penduradas em ocupações de torres vazias e prédios abandonados do movimento Ocupe Estelita, que desde 2008 luta pela preservação do Cais José Estelita, em Recife (PE). Fora do País, estampou cartazes turcos quando árvores foram derrubadas no parque Gezi, em Istambul, para dar lugar a um centro comercial.

Mas o que, afinal, significa direito à cidade, expressão veementemente evocada por movimentos sociais nos últimos anos e que, no Brasil, ganhou territorialidade após as mobilizações de 2013?

A pesquisadora Bianca Tavorali, do Núcleo Direito e Democracia, empreendeu-se na tarefa de, senão definir conceitualmente, criar uma linha histórica das primeiras expressões do termo até os dias de hoje e os muitos significados ganhados ao longo desse período. O resultado está no material Direito à cidade: uma trajetória conceitual, disponível para download gratuito na plataforma Cidades Educadoras.

Cidade, um espaço de encontros

Para fazê-lo, Bianca recorreu a quem primeiro cunhou o termo: o francês Henri Lefebvre. Em 1968, Henri escreveu o curto e denso livro homônimo (em tradução livre), Le Droit à la ville. Ainda que outros marxistas tenham discutido a cidade em suas obras, Henri foi o primeiro a dissecá-la enquanto campo problemático particular e não apenas como pano de fundo das relações sociais.

A pesquisadora também abordou como estudiosos como David Harvey se relacionaram com o termo, referenciando-o, mas também moldando-o a temáticas como luta por moradia e justiça social.

No material, é também relatado o pouso do termo no contexto de movimentos sociais brasileiros. O direito à cidade encontrou eco, por exemplo, nas pesquisas de Ermínia Maricato e Pedro Jacobi, que já trabalhavam o conceito da cidade produzida de maneira desigual, como citado por Pedro:

“Todas as pessoas que vivem na cidade são cidadãos? Não é bem assim. Na verdade, todos têm direito à cidade e têm direito de se assumirem como cidadãos. Mas, na prática, da maneira como as modernas cidades crescem e se desenvolvem, o que ocorre é uma urbanização desurbanizada. Direito à cidade quer dizer direito à vida urbana, à habitação, à dignidade. É pensar a cidade como um espaço de usufruto do cotidiano, como um lugar de encontro e não de desencontro”.

Via Portal Aprendiz

canteiros férteis de saber e generosidade

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Nesta ocasião, tive a oportunidade de ser beneficiado pela generosidade do Mestre Raul Cânovas, em momentos pudemos acompanha-lo em visitas a alguns viveiros. Nesta ocasião da foto junto ao Roberto Ferrari, estávamos na Fábrica de Árvores. Momentos de grande aprendizado conhecer o modelo de cultivo desenvolvido pela FA juntamente com o Roberto Ferrari. Voltaremos a abordar este modelo de cultivo nos posts futuros. Não podemos deixar de agradecer a Monica Mello e toda equipe FA pela receptividade e dispor em compartilhar de saberes.

 

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